Do Brasil com Saudades...

26-07-2005

Antonio José Veiga Roldão

 

Foi-me solicitado que inaugurasse este espaço, denominado “Do Brasil, com saudades”, que certamente irá sendo expandido para outros espaços: “Da Venezuela, com saudades”, “Do Canadá, com saudades”, “Da França, com saudades", e assim sucessivamente, até que seja necessário criar um espaço denominado “Do Mundo, com saudades”.

 

Não sou um escritor mas, tentarei fazer o melhor que minha capacidade o permita. Entendo que, mais importante do que a forma, a técnica, será a emoção, a válvula de escape para a pressão existente em nossos corações. Vamos nos conhecer melhor, trocar ideias, opiniões e, principalmente, “matar” saudade.

 

Saudade da nossa Festa do Castedo, da qual tenho vagas recordações, da Escola do Castedo, onde passei tão pouco tempo pois vim cedo para o Brasil, da nossa Igreja, das uvas, das amêndoas, do azeite (ainda me lembro da velha azenha), das castanhas e dos magustos, do nosso vinho, do chafariz (que me parecia enorme, até que o revi novamente) e, enfim de tudo que povoa tantas de nossas imagens da infância.

 

Saudade, principalmente, da nossa gente. Dos que conhecemos e também dos que não conhecemos. Dos que ainda estão connosco, e também dos que já se foram. Saudade do João Vilela, a quem ainda não conheço pessoalmente e saudade do tio Padre António, de quem mal me recordo. Saudade do meu tio Padre Adriano Veiga, dos meus outros tios, alguns dos quais mal cheguei a conhecer. Saudade do Alfredo, da Elsa, do Pinto, da Nazaré, da Malucha, da Idalina, do Emídio. Cito apenas alguns que me são mais próximos, certamente sem procurar mencionar todos pois, certamente cometeria imperdoáveis falhas. Além destes, há tantas outras pessoas. O Herculano, o Ernesto, o Padre Praça, o meu saudoso Telmo, e tantas outras pessoas, algumas que já partiram mas, que continuam povoando nossas lembranças.

 

Considero oportuno, a esta altura, falar-lhes um pouco de mim. Não o farei por egocentrismo mas, para facilitar nossos futuros contactos pois, e esse é meu desejo, este espaço é de todos e, eu, actuarei apenas como mero catalisador de anseios de todos nós.

 

Os mais antigos certamente se lembrarão do Baltazar e da Aninhas. Pois é, tenho imenso orgulho de ser filho deles. Meu pai já partiu e, minha mãe, Castedense de quatro costados, ainda está entre nós. Fará 89 anos no próximo dia 20 de Dezembro. Também minha saudosa irmã Nair já nos deixou. Meus outros irmãos, a Maria dos Anjos, a Maria Estrela e o Adriano vivem aqui no Brasil onde, também se agrega o João Carlos, este já brasileiro.

 

Tenho 57 anos, e vim para o Brasil, com toda a família, quando tinha apenas 8 anos. Naturalmente, como era costume na época, meu velho já tinha vindo na frente.

 

Voltei, pela primeira vez a Portugal, já casado e levando meu primeiro filho, o Jorge, há cerca de 30 anos atrás e, sempre que posso, tenho retornado e vivido sempre a mesma emoção e recebido sempre o carinho de todos.

 

A última vez que estive no Castedo, foi há pouco mais de um ano. Fui a um Congresso em Lisboa e, naturalmente, dei uma esticada rápida ao nosso Castedo. A “visita” teve que ser tão rápida que mal consegui falar com os parentes mas, VALEU A PENA !

 

Com estas linhas, estou dando o pontapé inicial. O João me pede para escrever algo quinzenalmente, o que farei com o maior prazer.

 

Façam contacto, abasteçam-me com as vossas sugestões, vamos trocar ideias, experiências e, naturalmente, “matar saudade”.

 

Finalizo louvando o João pela sua iniciativa e reconhecendo de público o esforço que está fazendo em benefício de todos nós, tantas vezes incompreendido por alguns.

 

Antonio J V Roldão