|
|
|
05-12-2005 |
[N.º 5] TRADIÇÕES..... SINAIS DO PROGRESSO?!?!
|
Antonio J Veiga Roldão antonioroldao@yahoo.com.br |
|
Antes, cabe registrar minhas desculpas por demorar tanto a escrever. Conforme havia adiantado no artigo 004, eu e meu filho Jorge fomos aprovados para fazer nosso doutoramento na Universidade de Coimbra e, já em 5 de Outubro nos encontrávamos em Coimbra para a realização de tão importante sonho. Hoje, 25 de Novembro já estamos novamente no Brasil e, em 4 de Dezembro já estarei retornando a Coimbra e, desta vez, levando minha esposa Aldicéia e meu filho mais novo, o Antonio Júnior. Enquanto estivemos em Portugal tivemos a oportunidade de uma breve visita ao nosso Castedo. Fizemo-lo durante as eleições e, “matamos saudades” à vontade. Também temos convivido bastante com o João Vilela, a quem finalmente conheci pessoalmente. Trata-se de um grande Castedense !!! Mas, para não perder o jeito, lá vão algumas reflexões sobre o nosso Castedo ... Deixarei para comentar nossa recente visita ao Castedo para um próximo número ... Darei rápidas pinceladas sobre cada um dos temas e, caso no decorrer da escrita brotem maiores informações, me deterei mais no assunto, caso contrário, voltaremos aos temas nos próximos números. Começarei pelo CHAFARIZ da Praça. Que susto tomei quando, da primeira vez que retornei ao Castedo, me deparei com o nosso chafariz. Onde estava o chafariz de minhas lembranças ? Quem o havia encolhido ? Explico-me melhor: pelo que me recordava, o chafariz era enorme ! Claro, do tamanho que eu era naquela ocasião, ao olhar para ele, realmente parecia ser IMENSO ! Talvez os mais novos nem saibam que, naquele tempo, era ali que se enchiam os “canecos” para abastecer as residências. SIM, naquela época não havia água encanada para as casas. Sob este aspecto particular, o progresso foi ótimo. A mesma coisa já não posso dizer do que o progresso fez com, por exemplo, o presunto. É lógico que continuo adorando o presunto mas, falta-lhe o ritual da época em que se matava o porco no Castedo (perdoem-me os “defensores dos animais”, que aqui no Brasil são muitos). Onde está o “berro” do porco ? Onde está aquele banco em que ele era amarrado (pelo que me lembro, bem em frente à casa onde nasci) ? Onde está a mão certeira que sabia precisamente onde enfiar a faca ? Onde está a palha que era usada para queimar os pelos do porco ? Onde está a “mão” do regador que era esfregado no porco para limpá-lo ? Onde estão as enormes (não tenho mais certeza se eram “enormes”) panelas em que o porco era cozido para que se preparassem as linguiças? Onde estão as “caixas” em que as partes eram salgadas para serem consumidas ao longo do ano ? Onde está o fumeiro ?... Descobri que está tudo no açougue/talho de Alijó ... ou no supermercado ... ou na Espanha onde alguns vão comprar os seus presuntos ... Não, desta parte do progresso não gostei ... (ainda que reconheça que seja mais prático) Também o leite, o frango, até o vinho consumido já não são produtos genuinamente Castedenses. “Nascem” nos freezers/arcas e parecem não mais vir das cabras, das pitas, das nossas uvas... Sei que, felizmente, de forma plena ou parcialmente, algumas tradições ainda são mantidas por alguns. De forma plena posso falar da pipa do Alfredo, de onde ele se abastece com orgulho dizendo: “este foi pisado com os meus pés”. Parcialmente, posso falar dos vários presuntos pendurados na casa do Ernesto quando lá estive. Podiam até ter sido “comprados” mas, além da hospitalidade do Ernesto e da família, o presunto também estava ótimo ! Bem, vou ter que parar por aqui. Muito há ainda a falar mas, fica para os próximos números. Continuarei aguardando as contribuições de vocês. Até a próxima. Antonio Roldão |
||